Dentro de mim jogo um jogo
Onde posso viver e morrer várias vezes
Onde escalo montanhas e venço rios sem esforço
Onde mato sem culpa
Onde transformo sangue em ouro
Dentro de mim jogo um jogo
Onde os inimigos são vermelhos e os companheiros, azuis
Facilmente distingo todos
Onde troco as armas no primeiro clicar do botão
Onde recarrego, no segundo clique, a munição
Onde conduzo a vida com apenas dois cursores
Onde pauso o tempo,
Onde adianto o tempo,
Onde venço o tempo,
O tempo todo
E há sempre tempo de novo
Para salvar as fadas e chacinar dragões
Há dentro de mim um jogo
Onde venço de mim mesma
Onde perco de mim mesma
Onde, sobretudo, me perco de mim mesma
Distraidamente
Sem fome,
Sem sono,
Sem dores,
E esqueço
Do jogo que fora de mim há
E sempre haverá
E sempre haverá?
Isso importa?
Há dentro de mim um jogo
Onde sempre haverá outras portas
Onde me alimento de tesouros,
Onde não há cama, quiçá sono,
Onde a dor não me alcança,
Apenas aos controles que tremem,
Simulando-a
Há dentro de mim um jogo,
Onde roubo os mortos
E compro armaduras que nem sempre valem o que pago
Mas sempre custam caro
É quando lembro: viver, por si só, é caro!
Mesmo na virtualidade
Há dentro de mim um jogo
Onde os monstros são realmente vencidos
Onde o game over nunca é definitivo
Onde meus escritos nunca serão pós-escritos
Pois não haverá lápide para mim
Eis que, na tela escura, letras amarelas me perguntam:
Continuar?
Sim.
quarta-feira, 27 de julho de 2011
PÓS-ESCRITO (ou P.S...)
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quinta-feira, 7 de julho de 2011
A CAIXA DAS HORAS II
O tempo tarda
E porque não passa
Alarga a espera
Sobre o ponteiro espesso
Deito-me esticada
E porque nele caibo
Giro a fria madrugada
Coberta pelos sonhos que me restam
Ao acordar, descubro-me
Dos sonhos e de mim mesma
Já não sou aquela que jazia esticada
Sou um dia a mais que, ansioso, me espreita e chama
Raios de sol pelas persianas,
Saliva de luz,
Mingau das almas das janelas
Sem surpresa,
Bocejo e vejo:
O tempo ainda gira
Mas desço do ponteiro
Da carruagem do tempo alheio: o relógio
E vou caminhar em meu próprio tempo
Onde os segundos não se contam em macios e temperados sonhos
Mas em dura execução de salgado planejamento
Temo
E mais um dia parte
Enquanto minha outra parte
Em mais uma noite
Se inquieta
O tempo passa
E porque corre
Estreita a espera
Sobre o ponteiro fino da pressa
Equilibro-me, bambeio
Encolho-me, seguro
Segundo que não mais gira
Arrouba-se linear tal qual flecha
Ao acordar, caio, mas não morro
Ergo-me e volto a galgar o cavalo que badala em horas: o ponteiro
Ajeito-me na sela
Retomando as rédeas, finjo que freio
Temendo a vida?
Temendo a morte?
Temendo o tempo
É quando lembro:
A caixa das horas
É caixa que guarda tesouro
Jamais sepultamento
Desço do cavalo e o desengato da carruagem
Ao passo que também me liberto
Vou ousar novamente
Andar com meus próprios pés
Em meu próprio tempo:
Terreno onde me construo
Mas, desta vez, sem medo.
E porque não passa
Alarga a espera
Sobre o ponteiro espesso
Deito-me esticada
E porque nele caibo
Giro a fria madrugada
Coberta pelos sonhos que me restam
Ao acordar, descubro-me
Dos sonhos e de mim mesma
Já não sou aquela que jazia esticada
Sou um dia a mais que, ansioso, me espreita e chama
Raios de sol pelas persianas,
Saliva de luz,
Mingau das almas das janelas
Sem surpresa,
Bocejo e vejo:
O tempo ainda gira
Mas desço do ponteiro
Da carruagem do tempo alheio: o relógio
E vou caminhar em meu próprio tempo
Onde os segundos não se contam em macios e temperados sonhos
Mas em dura execução de salgado planejamento
Temo
E mais um dia parte
Enquanto minha outra parte
Em mais uma noite
Se inquieta
O tempo passa
E porque corre
Estreita a espera
Sobre o ponteiro fino da pressa
Equilibro-me, bambeio
Encolho-me, seguro
Segundo que não mais gira
Arrouba-se linear tal qual flecha
Ao acordar, caio, mas não morro
Ergo-me e volto a galgar o cavalo que badala em horas: o ponteiro
Ajeito-me na sela
Retomando as rédeas, finjo que freio
Temendo a vida?
Temendo a morte?
Temendo o tempo
É quando lembro:
A caixa das horas
É caixa que guarda tesouro
Jamais sepultamento
Desço do cavalo e o desengato da carruagem
Ao passo que também me liberto
Vou ousar novamente
Andar com meus próprios pés
Em meu próprio tempo:
Terreno onde me construo
Mas, desta vez, sem medo.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
A CAIXA DAS HORAS I
A caixa das horas
Pende, demora
Padece cheia de sonhos
Enquanto a pressa, inquieta,
Espera do lado de fora
Por vezes, com as mãos tremulas e as unhas roídas
Avançamos sobre a caixa lacrada
Buscamos abri-la, pedindo vida
Mas ela não cede
Mantém-se cerrada
Só a caixa das horas sabe a hora certa de ser devassada
Por vezes, com as unhas pintadas
Esmalte requintado, mais caro do que prato de comida
Cutículas impecavelmente tolhidas
Como se podadas tal qual jardim raro
Irritamo-nos com o supérfluo
Com os dias ocos de ofícios
Bate-nos na cara a futilidade
É quando buscamos manter a caixa fechada
Para que as horas não jorrem ao nada
Mas a caixa se abre insolente
Impulsionando-nos para a frente
É o tempo que, impiedoso e mesmo desperdiçado,
Passa
O laço que prende a caixa das horas é de cetim vermelho
Tingido pelo sangue dos que não suportaram a espera e cortaram os pulsos
O nó do laço é justo
E não se apieda dos mais apressados
Daqueles que tentam burlar a fita que guarda o tempo
Soube que o desenlace requer esquecimento:
Que esqueçamos o sangue, que esqueçamos o laço
Que esqueçamos a caixa, que esqueçamos o próprio tempo
Que lembremos apenas de nosso real alimento:
Não consumimos ponteiros, degustamos agoras
Não mastigamos relógios, saboreamos momentos
Quando, finalmente, não demarcamos em horas o que vivemos
É que, realmente, viveremos
Pois desatar a vida requer, antes de tudo, liberdade
Ser livre é descobrir que a caixa das horas não dormita fora de nós,
Mas sim dentro
Façamos, portanto, de um ano árduo, um segundo
E de um segundo, um século intenso
Se assim exigir nosso próprio calendário.
Pende, demora
Padece cheia de sonhos
Enquanto a pressa, inquieta,
Espera do lado de fora
Por vezes, com as mãos tremulas e as unhas roídas
Avançamos sobre a caixa lacrada
Buscamos abri-la, pedindo vida
Mas ela não cede
Mantém-se cerrada
Só a caixa das horas sabe a hora certa de ser devassada
Por vezes, com as unhas pintadas
Esmalte requintado, mais caro do que prato de comida
Cutículas impecavelmente tolhidas
Como se podadas tal qual jardim raro
Irritamo-nos com o supérfluo
Com os dias ocos de ofícios
Bate-nos na cara a futilidade
É quando buscamos manter a caixa fechada
Para que as horas não jorrem ao nada
Mas a caixa se abre insolente
Impulsionando-nos para a frente
É o tempo que, impiedoso e mesmo desperdiçado,
Passa
O laço que prende a caixa das horas é de cetim vermelho
Tingido pelo sangue dos que não suportaram a espera e cortaram os pulsos
O nó do laço é justo
E não se apieda dos mais apressados
Daqueles que tentam burlar a fita que guarda o tempo
Soube que o desenlace requer esquecimento:
Que esqueçamos o sangue, que esqueçamos o laço
Que esqueçamos a caixa, que esqueçamos o próprio tempo
Que lembremos apenas de nosso real alimento:
Não consumimos ponteiros, degustamos agoras
Não mastigamos relógios, saboreamos momentos
Quando, finalmente, não demarcamos em horas o que vivemos
É que, realmente, viveremos
Pois desatar a vida requer, antes de tudo, liberdade
Ser livre é descobrir que a caixa das horas não dormita fora de nós,
Mas sim dentro
Façamos, portanto, de um ano árduo, um segundo
E de um segundo, um século intenso
Se assim exigir nosso próprio calendário.
segunda-feira, 20 de junho de 2011
A ÚLTIMA LETRA
Eu vejo coisas
Eu cito nomes
Eu decoro novamente o que já esqueci
Leio em voz baixa
Penso em voz alta
Calo enquanto leio outra vez o que já li
As páginas passam
As lições se rasgam
Como se, ousadas, ganhassem vida própria
As próximas palavras, mesmo não escritas, chamam-me “idiota!”
Enquanto sigo me designando apenas “aprendiz”
Em meio ao sufoco
Os pedaços soltos, de papéis e ódio, se espalham em mim
Sou mesa empilhada, quase empoeirada, de onde, ao longe, ainda se avista o jardim
Sou estante cansada, sempre carregada, onde o tédio intercala-se com livros em dialetos que nunca aprendi
Diante das línguas mortas, silencio
Diante do desconhecido que persiste vivo, grito
Sou analfabeta para muito do que escolhi
Sou palavra escrita em água
Sou a última letra de alfabeto sem fim
Que pede ponto final e o coloca
À revelia de mim
Sou quadro negro riscado, apagado e riscado novamente
Sou inteligente, estúpida e, outra vez, inteligente
A ponto de minimamente saber que
Eu vejo coisas
Eu cito nomes
Eu decoro novamente o que já esqueci
Por isso repito tanto
Releio tanto
Apago tanto do que fui, do que sou, do que serei
Pois antes me tornar risco indelével, sou giz
Mas ainda há a mesa a ser arrumada aqui dentro,
Há a janela que pode ser aberta e o jardim visitado
Há a estante a ser desocupada, ao menos, pelo tédio
Há livros a serem inteiramente decifrados
Pois hei de aprender todos os dialetos
Sobretudo o das palavras nunca ditas
Apesar de sentidas de forma pungente
E quando pronunciá-las sem medo, traduzidas pela vida
Tornar-me-ei quadro negro estampado de textos poéticos,
Outrora mortos,
Escritos pelo mesmo giz que, um dia, deixei apagar sem sentir
Não sou a letra Z
Mas sou o que me fizer ser
Sou eu meu próprio fim.
Eu cito nomes
Eu decoro novamente o que já esqueci
Leio em voz baixa
Penso em voz alta
Calo enquanto leio outra vez o que já li
As páginas passam
As lições se rasgam
Como se, ousadas, ganhassem vida própria
As próximas palavras, mesmo não escritas, chamam-me “idiota!”
Enquanto sigo me designando apenas “aprendiz”
Em meio ao sufoco
Os pedaços soltos, de papéis e ódio, se espalham em mim
Sou mesa empilhada, quase empoeirada, de onde, ao longe, ainda se avista o jardim
Sou estante cansada, sempre carregada, onde o tédio intercala-se com livros em dialetos que nunca aprendi
Diante das línguas mortas, silencio
Diante do desconhecido que persiste vivo, grito
Sou analfabeta para muito do que escolhi
Sou palavra escrita em água
Sou a última letra de alfabeto sem fim
Que pede ponto final e o coloca
À revelia de mim
Sou quadro negro riscado, apagado e riscado novamente
Sou inteligente, estúpida e, outra vez, inteligente
A ponto de minimamente saber que
Eu vejo coisas
Eu cito nomes
Eu decoro novamente o que já esqueci
Por isso repito tanto
Releio tanto
Apago tanto do que fui, do que sou, do que serei
Pois antes me tornar risco indelével, sou giz
Mas ainda há a mesa a ser arrumada aqui dentro,
Há a janela que pode ser aberta e o jardim visitado
Há a estante a ser desocupada, ao menos, pelo tédio
Há livros a serem inteiramente decifrados
Pois hei de aprender todos os dialetos
Sobretudo o das palavras nunca ditas
Apesar de sentidas de forma pungente
E quando pronunciá-las sem medo, traduzidas pela vida
Tornar-me-ei quadro negro estampado de textos poéticos,
Outrora mortos,
Escritos pelo mesmo giz que, um dia, deixei apagar sem sentir
Não sou a letra Z
Mas sou o que me fizer ser
Sou eu meu próprio fim.
sexta-feira, 6 de maio de 2011
AFETO CONSTITUCIONALIZADO
Hoje é, definitivamente, um dia a ser comemorado!
O Supremo Tribunal Federal concluiu ontem um julgamento histórico: reconheceu, por UNANIMIDADE de votos, a união entre pessoas do mesmo sexo como uma entidade familiar, tão digna de respeito e proteção quanto qualquer outra. E mais: legitimamente equiparada, em todos os direitos e obrigações, às uniões estáveis estabelecidas entre casais de sexos opostos!
Os votos foram brilhantes! Verdadeiras aulas de Direito Constitucional, de Direito de Família, mas, acima de tudo, lições de Humanidade, Grandeza, Tolerância e Justiça! Os Ministros falaram por todos nós e disseram, com sensibilidade e pertinência ímpares, tudo o que gostaríamos de dizer! Nosso silêncio de séculos foi quebrado! Daqui em diante, nossas vozes ecoarão com mais força e serão mais escutadas, afinal, a decisão vincula a todos os poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário! E vale para todas as esferas da federação: União, Estados, Distrito Federal e Municípios! Hoje, mais do que ontem, nossa forma de AMAR foi LEGITIMADA! Enfim, num mundo tão degradado pelos desafetos, finalmente o afeto prevaleceu! AFETO CONSTITUCIONALIZADO!
Daqui por diante, a intolerância e a ignorância perderão, certamente, muito espaço! Vira-se a página pesada do preconceito e abre-se, em folha leve e perfumada, a página de uma nova jornada!
Parabéns para Supremo Tribunal Federal, cúpula de nosso Poder Judiciário! Parabéns para todos aqueles que, sendo ou não gays, lutaram e lutam por tão nobre causa! Que possamos, cada vez mais, prestigiar Oscar Wilde ousando SIM dizer o nome do ente amado!
O Supremo Tribunal Federal concluiu ontem um julgamento histórico: reconheceu, por UNANIMIDADE de votos, a união entre pessoas do mesmo sexo como uma entidade familiar, tão digna de respeito e proteção quanto qualquer outra. E mais: legitimamente equiparada, em todos os direitos e obrigações, às uniões estáveis estabelecidas entre casais de sexos opostos!
Os votos foram brilhantes! Verdadeiras aulas de Direito Constitucional, de Direito de Família, mas, acima de tudo, lições de Humanidade, Grandeza, Tolerância e Justiça! Os Ministros falaram por todos nós e disseram, com sensibilidade e pertinência ímpares, tudo o que gostaríamos de dizer! Nosso silêncio de séculos foi quebrado! Daqui em diante, nossas vozes ecoarão com mais força e serão mais escutadas, afinal, a decisão vincula a todos os poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário! E vale para todas as esferas da federação: União, Estados, Distrito Federal e Municípios! Hoje, mais do que ontem, nossa forma de AMAR foi LEGITIMADA! Enfim, num mundo tão degradado pelos desafetos, finalmente o afeto prevaleceu! AFETO CONSTITUCIONALIZADO!
Daqui por diante, a intolerância e a ignorância perderão, certamente, muito espaço! Vira-se a página pesada do preconceito e abre-se, em folha leve e perfumada, a página de uma nova jornada!
Parabéns para Supremo Tribunal Federal, cúpula de nosso Poder Judiciário! Parabéns para todos aqueles que, sendo ou não gays, lutaram e lutam por tão nobre causa! Que possamos, cada vez mais, prestigiar Oscar Wilde ousando SIM dizer o nome do ente amado!
sexta-feira, 5 de novembro de 2010
MAS DE QUEM É A CULPA?
Mundo obtuso
Onde um estudioso vale menos do que um estúpido
Mundo hipócrita
Marcado pela diferença
Mas que ergue bandeiras à intolerância fincadas em modelos retrógrados
Mundo confuso
Onde se deseja o progresso construindo menos estradas e mais muros
Mundo medíocre
Onde se comemora o futebol, o carnaval, a cerveja, a mulher à mesa, as “riquezas”
Encobrindo as crises
Mundo perverso
Onde se tolera a miséria, o crime, as guerras
Mas se repudia o amor entre os do mesmo sexo
Mundo religioso
Onde o nome de Deus está na boca de tantos padres e pastores
Que cospem na cara dos outros
Mundo raquítico
Onde ou se é desnutrido de corpo ou de espírito
Mundo sólido
Tijolos de ignorância, preconceito e ódio
Mundo cão
Onde se diz “sim” ao que merece “não
Mundo nosso.
Onde um estudioso vale menos do que um estúpido
Mundo hipócrita
Marcado pela diferença
Mas que ergue bandeiras à intolerância fincadas em modelos retrógrados
Mundo confuso
Onde se deseja o progresso construindo menos estradas e mais muros
Mundo medíocre
Onde se comemora o futebol, o carnaval, a cerveja, a mulher à mesa, as “riquezas”
Encobrindo as crises
Mundo perverso
Onde se tolera a miséria, o crime, as guerras
Mas se repudia o amor entre os do mesmo sexo
Mundo religioso
Onde o nome de Deus está na boca de tantos padres e pastores
Que cospem na cara dos outros
Mundo raquítico
Onde ou se é desnutrido de corpo ou de espírito
Mundo sólido
Tijolos de ignorância, preconceito e ódio
Mundo cão
Onde se diz “sim” ao que merece “não
Mundo nosso.
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
O QUE DESEJO (Poesia)
Eu quero mudar de pais e de país
Quero uma sociedade justa e feliz
Onde o outro não seja o algoz e queira me punir
Por eu ser tudo o que sou e não ter medo
Eu quero um coração sem cicatriz
Que não tenha que se renovar a cada instante que bate
A cada punhalada que adentra à carne
Diante da fraqueza dos amigos
Diante da ausência de defesa
Diante de minhas causas gigantescas
Eu quero uma vida que não mate
Quero ouvir os políticos sem asco
Quero acreditar que vai dar certo o diálogo
Que, dia a dia, travo com os outros e comigo mesma
Eu quero aceitar a covardia alheia
Quero lidar melhor com minha coragem
Para que ela não me fira mais do que proteja
Eu quero olhar o outro sem sentir vergonha por ele
Eu quero ter menos orgulho de mim mesma
Para que eu não destrua quem, erroneamente, penso estar abaixo
Afinal, “somos todos iguais”
E, sem sarcasmo, preciso lembrar a máxima que tanto defendo
Eu quero uma memória mais curta
Que não me jogue na cara as falhas que sempre cometo
Que não me reporte, antes do sono, à dor do cárcere que tanto conheço
Que não me faça reviver, insone, meus maiores pesadelos
Enfim,
Eu quero desaprender a refletir,
Eu quero desaprender a me iludir,
Eu quero desaprender a escrever,
Para não ter que continuar a sentir
A cada palavra que, inutilmente, escrevo
Tudo isto
Que, na verdade, é sempre o mesmo
É tudo o que desejo.
Quero uma sociedade justa e feliz
Onde o outro não seja o algoz e queira me punir
Por eu ser tudo o que sou e não ter medo
Eu quero um coração sem cicatriz
Que não tenha que se renovar a cada instante que bate
A cada punhalada que adentra à carne
Diante da fraqueza dos amigos
Diante da ausência de defesa
Diante de minhas causas gigantescas
Eu quero uma vida que não mate
Quero ouvir os políticos sem asco
Quero acreditar que vai dar certo o diálogo
Que, dia a dia, travo com os outros e comigo mesma
Eu quero aceitar a covardia alheia
Quero lidar melhor com minha coragem
Para que ela não me fira mais do que proteja
Eu quero olhar o outro sem sentir vergonha por ele
Eu quero ter menos orgulho de mim mesma
Para que eu não destrua quem, erroneamente, penso estar abaixo
Afinal, “somos todos iguais”
E, sem sarcasmo, preciso lembrar a máxima que tanto defendo
Eu quero uma memória mais curta
Que não me jogue na cara as falhas que sempre cometo
Que não me reporte, antes do sono, à dor do cárcere que tanto conheço
Que não me faça reviver, insone, meus maiores pesadelos
Enfim,
Eu quero desaprender a refletir,
Eu quero desaprender a me iludir,
Eu quero desaprender a escrever,
Para não ter que continuar a sentir
A cada palavra que, inutilmente, escrevo
Tudo isto
Que, na verdade, é sempre o mesmo
É tudo o que desejo.
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