terça-feira, 26 de julho de 2016

ESQUADROS




ESQUADROS


Com felicidade, anunciou: em agosto lançarei meu próximo romance intitulado ESQUADROS pela Editora Palavras, Expressões e Letras - PEL.

Ao ensejo, também aviso: é um livro para aqueles que, libertando-se das molduras, das algemas, dos viveiros, ousam ser inteiros.

terça-feira, 19 de julho de 2016

SE PUDER SEM MEDO


"Se puder sem medo"
Plagiando Oswaldo Montenegro no título 
Sugiro:
Olhe mais para frente, 
Pois só assim se vê genuinamente vida
Ao lado, está a vida alheia 
Atrás, a não mais vivida.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

LEVEZA

Leveza
Essa corrente d'água que substitui o sangue quente das veias;
Essas asas azuis que acariciam nosso rosto afastando a ventania;
Esse chá adocicado e santo que regenera nossos lábios e nos faz deglutir poesia;
Essa avenida vazia e larga onde apenas flores passeiam
Sem rumo, sem agonia.

Leveza
Essa miragem que se desfaz diante da lupa dos dias
É ela que procuro e que me procura
Enquanto seguimos,
Díspares,
Nossas tormentosas trilhas.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

LUTO


As mulheres abrem suas almas
Doam seu sangue
Devassam seus sonhos
Por um homem

Enquanto isso
Dezenas de malditos
Abrem suas pernas
Fazem jorrar seu sangue
Devassam sua carne
Para provar o que a outros homens?

Quão sombrio ainda pode ser o machismo nessa Era de fomento?
O que se há de fazer além de um estampido coletivo em lamento?
Não basta vestir luto:
Lutemos!

sexta-feira, 13 de maio de 2016

TÃO POUCO




Quando criança,
Tudo o que precisamos para ser feliz
É de uma cabana de pirata no meio da sala.
Dentro:
Duas almofadas,
Um gibi com a metade das páginas,
Um carro de plástico.
O resto do espaço, preenchemos com sonhos
E isso nos basta.

Adultos, crescemos por fora, mas encolhemos por dentro.
Queremos um apartamento com várias suítes,
Mais de cem metros quadrados,
Sala para três ou quatro ambientes.
Dentro:
Cama king size,
TVs de Led,
Clássicos literários
E seres-humanos para nos servirem o café da tarde
Como se não tivéssemos mãos e pernas para buscar o que queremos
O resto...
Que resto? Não há mais espaço.
Tudo queda abarrotado e há um imenso vazio por dentro.

De casa cheia e sonhos ocos,
Nos tornamos adultos
E nos consideramos ricos,
Com tão pouco.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

MICROCONTOS: Uma micro (?) explicação


MICROCONTOS

 − Uma micro (?) explicação −

Começo com uma confissão. Nunca me saí bem com resumos. Não consigo nem relatar um evento com brevidade numa mera conversa regada a café. Juro! Enfim, encurtar os caminhos, ainda mais os escritos, não vinha sendo meu estilo até que... resolvi (re)criar os MICROCONTOS.

Bem por isto, talvez eles sejam apenas uma forma de eu me policiar, de eu aprender a usar menos palavras e, ainda assim, traduzir grandes momentos.  Resumindo − sim, agora essa é a meta, acreditem! −, tentarei criar histórias com enredos, cenários, personagens e até diálogos de maneira rimada e curta, sem deixar escapar o que realmente importa e todos procuram: a emoção. Espero que vocês e eu encontremos algum êxito. Afinal, encurtar também pode fazer bem aos olhos míopes e coração.

Com apreço,

M. PORTECLIS (já que é para abreviar...)

quarta-feira, 27 de abril de 2016

ÓDIO CONSUMADO


 

 Seus namorados eram amigos

Apenas por isto se encontraram

Não fosse a afinidade entre eles

Elas jamais teriam se afinado

 

Iam a praia todo domingo

Os dois, até tarde, surfavam

Elas ficavam na areia

Sem lamentar a ausência de ambos

Nadavam, isto sim, em seus próprios diálogos

 

Eram muito diferentes

Bruna natural, extrovertida, desinibida

Usava biquines minúsculos,

Segura que era do próprio corpo

Trabalhado tanto quanto seu espírito

 

Carol, cheia de manias

Protetor solar, óculos escuros, maiô clássico

Tinha medo não apenas do sol: da vida

 

À noite, em restaurantes caros,

Os quatro tomavam vinho

As duas, bebiam-se nos olhares

Falavam-se sem palavras

Enquanto o namorado de uma criticava certo carro

E o outro, considerava-o "uma máquina"

 

No cinema, sentavam-se intercaladas

Mas as frases que mais marcavam Bruna

Eram justamente as que, durante o jantar, Carol citava

 

Nunca exageravam nas bebidas

Mantinham a distância necessária

Até que numa sexta inusitada

Decidiram ir a certa boate

 

O show era de uma stripper festejada

Conhecida por suas curvas e audácia em todo o meio masculino

Na impossibilidade de irem só os rapazes

Resignados, mas convictos

Levaram as namoradas

 

A vodka gelada era servida, sorvida

E com exagero por todos

Os corpos quentes, menos pelo calor, mais pelo desassossego

Cada um com seus arroubos

 

Os rapazes haviam se afastado

No bar, pediam outra rodada

Bruna olhava a moça seminua sobre o palco

Carol, captando o momento, valendo-se da embriaguez que libertava

Aproximou-se da outra, sentindo-lhe o perfume

E perguntou, quase roçando-lhe os lábios:

 

"Você já beijou outra garota?"

A resposta veio certeira:

"Não, Carolina"

"Mas lhe beiraria inteira"

"E disso você já sabe"

 

Atônita, mas excitada, Carol continuou:

"Pois eu odeio essa vontade insana"

"De morder esses seus lábios"

"Odeio o fogo que me arde quando você me olha assim "

"Odeio, sobretudo, ver suas mãos e imaginar"

"O  quanto delas cabe em mim"

 

Bruna riu sem disfarce

Por baixo da mesa,

Com a firmeza necessária,

Tocou a perna de Carol,

Já inteiramente arrepiada,

E continuou o passeio,

Sem pressa, só devaneio,

Até a renda molhada

 

Ao constatar o mútuo desejo

Bruna ordenou, sem qualquer recato:

"Pois vamos sair agora"

"Quero sentir todo esse ódio"

"Dentro de um generoso quarto."